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19/06/2009 - Estou querendo plantar eucalipto. Gostaria de ter mais informações sobre plantio, muda e etc.

Pergunta feita por Rafael Rezende - Varginha, MG

Prezado Sr. Rafael

 

Para a realização do plantio é necessária a adoção de um conjunto de medidas silviculturais, como, por exemplo, a época do plantio (primavera ou início do verão, conforme a espécie), preparo do solo, adubação  (fertilização mineral em doses apropriadas) e tratos culturais destinados a favorecer o crescimento inicial das plantas em campo. Tomando-se como exemplo o preparo para fins de cultivo de eucalipto, este tem apresentado uma ampla evolução nos últimos anos, passando desde o preparo mais esmerado até o cultivo mínimo, muito difundido e utilizado atualmente no setor florestal. Logicamente que,  quando se generaliza o uso do equipamento ou o grau de mecanização sem se levar em conta todas as variáveis e peculiaridades de cada solo, clima e topografia, a probabilidade de dispêndio de dinheiro sem necessidade e a degradação do solo são praticamente inevitáveis. As espécies de Eucalyptus são altamente sensíveis à competição de ervas daninhas (até aproximadamente de 1 a 1 ano e meio) e também ao ataques de formigas (normalmente não suportam 3 ataques consecutivos).

O preparo do terreno está relacionado com as características da área onde será realizado o plantio. O preparo do solo para o plantio deve ser feito de maneira a propiciar maior disponibilidade de água para a cultura, visto que o regime hídrico do solo é um fator essencial para o crescimento da maioria das espécies de eucalipo. Visando a produção de madeira para laminação, serraria e fina para papel e celulose, geralmente são utilizados os espaçamentos de 3,0 x 2,5 (1.333 árvores/ha) ou 3,0 x 2,0 (1.666 árvores/ha). Com o advento dos plantios clonais, as empresas de celulose passaram a adotar espaçamentos mais largos (como o de 3 m x 3 m), que suprem o maior espaço aos genótipos idênticos. Na mecanização e nas atividades de colheita, o aumento do espaçamento torna-se uma necessidade visando condições mais adequadas à produção de indivíduos com maiores dimensões, que levam a uma maior produtividade dos equipamentos.

O plantio pode ser realizado através de dois métodos (no seu caso o manual):

- Plantio manual: consiste inicialmente de balisamento e alinhamento, abertura de covas, distribuição de mudas e plantio propriamente dito.

- Plantio mecanizado: consiste de um trator que transporta as mudas e abre a cova com um disco sulcador enquanto um operário distribui as mudas. Ao mesmo tempo, duas rodas convergentes fecham o sulco. As mudas mal plantadas são arrumadas por um operário que segue a máquina, sendo este processo utilizado para mudas de raiz nua

A limpeza é realizada até que as plantas atinjam um porte suficiente para dominar a vegetação invasora e geralmente são feitas através de três métodos principais:

- Limpeza manual: através das capinas nas entrelinhas ou de coroamento e por roçadas na entrelinha.

- Limpeza mecanizada: utilização de grades, enxadas rotativas e roçadeiras.

- Limpeza química: utilização de herbicidas.

 

A prevenção ao ataque das formigas cortadeiras deve ser realizada constantemente,  através da vigilância e do combate na fase de preparo do solo, na qual a localização e o próprio combate são facilitados. As espécies mais comuns na região Sul são as dos gêneros Atta e Acromyrmex, geralmente combatidas com iscas granuladas distribuídas nos caminhos e olheiros.

O replantio deverá ser realizado num período de 30 dias após o plantio, quando a sobrevivência deste é inferior a 90%.

Poda ou Desrama

Esta operação visa melhorar a qualidade da madeira pela obtenção de toras desprovidas de nós. O controle do crescimento dos galhos, bem como sua eliminação, é uma prática aplicada às principais espécies de madeira. Os nós de galhos vivos causam menores prejuízos que os deixados por galhos mortos. Estes constituem sérios defeitos na madeira serrada. Ocasionalmente, as árvores também são podadas para prevenir a ocorrência de incêndios florestais e para favorecer acesso aos povoamentos, durante as operações de desbastes, inventário e combate à formiga. São dois os tipos de desrama:

- Desrama natural: é bastante eficiente em floresta de eucalipto, sendo que nenhuma medida especial deve ser tomada a fim de promovê-la. O processo mais simples consiste em desenvolver e manter um estoque inicial denso, o que, além de manter os galhos inferiores pequenos, causa-lhes também a morte.

- Desrama artificial: o objetivo mais tradicional desta prática é a produção de madeira limpa ou isenta de nós em rotação mais curta que a exigida com desrama natural. A desrama artificial pode ser feita também para prevenir os nós soltos, produzindo desta forma madeira com nós firmes. Este esforço pode não oferecer recompensas muito valiosas, porém envolve um período de espera menor.

Os desbastes são cortes parciais realizados em povoamentos imaturos, com o objetivo de estimular o crescimento das árvores remanescentes e aumentar a produção da madeira utilizável. Nesta operação, removem-se as árvores excedentes, para que se possa concentrar o potencial produtivo do povoamento num número limitado de árvores selecionadas. Para determinar a intervenção, é preciso conhecer-se o incremento médio anual e corrente da floresta. Quando o incremento do ano passar a ser menor que o médio até a idade correspondente à ultima medição, tendendo portanto a baixar a média geral da produção da floresta, este seria o ano para a sua intervenção. Esta análise é possível mediante a realização de inventários contínuos. Nos desbastes, as vantagens em consequência da competição devem ser, pelo menos em parte, preservadas. Assim, num programa de desbaste, para rotações relativamente longas, o número de árvores deve ser reduzido gradativamente, porém a uma taxa substancialmente mais rápida do que seria em condições naturais.

A seleção das árvores a serem desbastadas é caracterizada da seguinte forma:

- Posição relativa e condições de copa (dominantes)

- Estado de sanidade e vigor das árvores

- Características de forma e qualidade do tronco

O principal efeito favorável do desbaste é estimular o crescimento em diâmetro das árvores remanescentes. A variação no diâmetro das árvores induzidas pelos desbastes é muito ampla. Desbastes leves podem não causar efeito algum sobre o crescimento, embora seja possível, em razão dos desbastes pesados, conseguir uma produção constituída de árvores com o dobro do diâmetro que, durante o mesmo tempo, elas teriam sem desbastes. Os desbastes também tendem a desacelerar a desrama natural e a estimular o crescimento dos galhos. A única vantagem disso é que os galhos permanecem vivos por mais tempo e, desse modo, reduz-se o número de nós soltos na madeira.

Métodos de desbaste

- Desbaste sistemático: Aplicados em povoamentos altamente uniformes, onde as árvores ainda não se diferenciaram em classes de copas. Aplicam-se em povoamentos jovens não desbastados anteriormente. É mais simples e mais barato. Permite mecanizar a retirada das árvores.

- Desbaste seletivo: Implica na escolha de indivíduos segundo algumas características, previamente estabelecidas, variadas de acordo com o propósito a que se destina a produção. As árvores removidas são sempre as inferiores, dominadas ou defeituosas. Este método é mais complicado, porém permite melhor resultado na produção e na qualidade da madeira grossa.

 

 

 

Localização da Propriedade Agrícola

Uso da Madeira

Variedade

Comportamento da espécie

Em regiões sujeitas a geadas severas e freqüentes

 

Fins energéticos (fonte de energia ou carvão vegetal) e serraria

 

E. dunnii

 

Apresenta rápido crescimento e boa forma das árvores
Apresenta dificuldades na produção de sementes

 

Em regiões sujeitas a geadas severas e freqüentes

Fins energéticos (fonte de energia ou carvão vegetal)

E. benthamii

Boa forma do fuste, intensa rebrota, fácil produção de sementes. Requer volume alto de precipitação pluviométrica anual

Em regiões livres de geadas severas

Fins energéticos (fonte de energia ou carvão vegetal), celulose de fibra curta, construções civis e serraria

E. grandis

Maior crescimento e rendimento volumétrico das espécies. Aumenta a qualidade da madeira com a duração do ciclo

Em regiões livres de geadas severas

Uso geral

E. urophylla

Crescimento menor que E. grandis, boa regeneração por brotação das cepas

Em regiões livres de geadas severas

Fins energéticos laminação, móveis, estruturas, caixotaria, postes, escoras, mourões, celulose

E. saligna

Madeira mais densa quando comparada ao E .grandis ;menos suscetível à deficiência de Boro.

Em regiões livres de geadas severas

Fins energéticos, serraria, postes, dormentes, mourões estruturas, construções

E. camaldulensis

Árvores mais tortuosas recomendado para regiões de déficit hídrico anual elevado.

Em regiões livres de geadas severas

Fins energéticos, serraria, postes, dormentes, mourões estruturas, construções

E. tereticornis

Tolerante à deficiências hídricas, boa regeneração por brotação das cepas

Em regiões livres de geadas severas

Serraria, laminação, marcenaria, dormentes, postes, mourões

E. maculata

Apresenta crescimento lento inicial. Indicada para regiões de elevado déficit hídrico

Em regiões livres de geadas severas

Fins energéticos (fonte de energia ou carvão vegetal), construções civis e uso rural e agrosilvopastoris

E. cloeziana

Excelente forma do fuste, durabilidade natural, alta resistência a insetos e fungos

 

 

 

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Marco Antonio dos Santos
Engenheiro Agrônomo  
Tel: 011 3816-2888

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