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Mudanças Climáticas

A ERA DO CALOR
Especialistas acreditam que a economia ditará o futuro do aquecimento global

As principais novidades do 4° relatório do Grupo I do IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change, no português, Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, alertaram os especialistas e chamaram a atenção do público em geral. Isto porque, algumas mudanças observadas no clima são maiores do que as que se esperava nos anos 80, quando foi divulgado o 1° relatório do IPCC.

O clima do nosso planeta já está mudando e os indícios surgem nos mais diversos aspectos. De acordo com o físico Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, de 1989 a 2005 houve um aumento do vapor d'água na atmosfera e já é possível observar uma mudança no padrão das chuvas. Além disso, há um decréscimo nos dias muito frios em todo o planeta. Eventos climáticos extremos também podem ficar mais freqüentes daqui pra frente, como a onda de calor que ocorreu na Europa em 2004 e matou milhares de pessoas, principalmente crianças e idosos. "Ao longo dos anos, o homem alterou não só a composição da atmosfera, mas também mudou a circulação das massas de ar pelo globo" – diz Artaxo.

Os indícios se tornam mais evidentes nos Pólos. O Ártico está aquecendo duas vezes mais do que as outras regiões do Planeta. A Groenlândia está perdendo gelo pelas bordas do País. "Se todo o gelo da Groenlândia derreter, o nível do mar aumentará 7 metros. Imagine o impacto disto para uma cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo" – indaga o físico. Estas mudanças ainda não são previstas para os próximos 100 anos. No entanto, se nada for feito agora, este será o novo cenário mundial daqui a 350 anos.
A confiabilidade destas previsões é garantida. Os modelos matemáticos da evolução do clima terrestre mudaram muito desde a divulgação do primeiro relatório do IPCC, em 1988. A resolução dos modelos passou de 500km de grade para 100km mapeados por todo o globo. Hoje, o índice de confiabilidade estatística é de 95% nos gráficos produzidos pelo IPCC. Estes gráficos mostram que os modelos matemáticos que reproduzem melhor a condição do clima atual apontam uma maior variação climática para o futuro. O último relatório divulgado projeta um aquecimento na ordem dos 2° a 3°C.

Estas projeções feitas para os próximos 100 anos levam em consideração o comportamento da economia e dos governos em relação à diminuição de gases do efeito estufa. Um dos representantes da sociedade científica brasileira no IPCC, o matemático Pedro Dias, também diretor científico da SBMET - Sociedade Brasileira de Meteorologia, acredita que podemos ter uma visão pessimista ou otimista dependendo do cenário futuro de emissão de gases como o CO2.  "Um gráfico visualizando um cenário pessimista, onde os governos não façam nada para diminuir a emissão de CO2, projeta uma alteração de 5°C no clima da Terra. Agora, se começarmos atuar em conjunto com medidas preventivas teremos uma alteração de apenas 0.5°C" – explica Pedro.

A queima de combustível fóssil representa 85% dos gases do efeito estufa. Países como os Estados Unidos são responsáveis por 26% destas emissões. O grande problema do combustível fóssil é que ele é um sistema fechado. "No Brasil estamos um passo à frente com o uso da bioenergia que foi adotada mais por razões econômicas do que ambientais" – diz Pedro. De acordo com ele, o Brasil tem um caso promissor e pode dar um belo exemplo com a diminuição do desmatamento, investimento em bioenergia, mudanças no hábito de consumo e adaptação da agricultura.

O diretor da empresa de Meteorologia SOMAR, Marcos Massari, já percebe uma mudança no comportamento de grandes clientes nacionais e internacionais de sua empresa. "Todos querem saber como a questão do aquecimento global pode influenciar nos seus negócios e atividades de produção. São agricultores acionistas e indústrias que procuram hoje minimizar os efeitos para futuro" – diz Massari.

Ao fim de todas as projeções, ainda se convive com algumas incertezas, afinal o sistema climático é complexo. No entanto, a conscientização mundial serve para promover estratégias governamentais para mudar a concentração de CO2 liberada na atmosfera. Obviamente, isto trará um grande impacto na economia, mas também deve forçar a busca de novos biocombustíveis que contribuam para a construção de sociedades sustentáveis, ou seja, sociedades que conciliam o desenvolvimento humano associado à conservação ambiental. Parafraseando Albert Einstein, físico que propôs a teoria da relatividade, Pedro Dias finaliza: "Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante do que o conhecimento."
 

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